quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sound-Off ou Dissertação Brejeira sobre o Telemóvel

Existe uma Diva que diz com frequência que “ antigamente não existiam os telemóveis e não deixávamos de nos encontrar, de marcar saídas com os amigos e com os namoradinhos de liceu.” Claro que não. Quando queremos – muito – algo, o algo acaba por vir ao nosso encontro.

Mas a verdade é que, agora, existem os telemóveis… E com ele vieram problemas do quotidiano. Um instrumento prático no nosso dia-a-dia? Um elemento de aproximação ao outro? Evidente; quem não gosta de mandar uma sms só a dizer aquelas coisas tão deliciosamente patéticas tipo “ Amiga, comprei uns sapatos que vais amar!” ou “ Querida, vou sair com o André!!! Finalmente! Estou tão feliz! Adoro-te!” É praticamente instantâneo expor os sentimentos levemente – e não levianamente – nesta pequena máquina à mão dos nossos dedos, facilitando o que, por vezes, é difícil de se dizer pessoalmente. E quanto à chamada telefónica propriamente dita… Vá lá, temos de contar a nossa atarefadíssima vida quase que in loco, mesmo se nesse dia até lanchamos com aquela amiga a quem contamos tudo. É óbvio que temos de contar o que se passou nas horas após a tarde!

Confesso que, pessoalmente, já passei algumas destas fases. O nível agora é outro – não que seja melhor, mas sim porque… Já não tenho tanto saco. Utilizo ainda aquela mensagem do beijinho e do abraço, do memo para aquele livro ou aquele filme. Mas, por vezes, falar ao telefone cansa… Não com quem se é próximo mas com aquele Amigo Social que liga à hora do jantar e que se nós não atendemos, e ele insiste. E quando finalmente atendemos porque já não podemos ouvir o telefone a tocar – Silêncio! Há o modo Silêncio, porque não se usa???- e ele pergunta automaticamente “ Onde estás?” - como se tivesse alguma coisa a ver com isso… Ou então sim, desligamos o "nosso" On e deixamos que ele toque, e toque e toque. No dia a seguir, oh, que maçada!, nós até trabalhamos e não podemos retornar a chamada. E acabamos por saber, nessa noite, noutro telefonema qualquer, que, afinal, esse nosso Amigo Social até amuou porque não devolvemos o contacto, porque não mandamos uma mensagem, porque não saímos da reunião do emprego para atendermos ou porque estivemos no quarto de banho todo o dia devido a uma intoxicação alimentar e não perdemos cinco minutos para falar com ele! Eu sei, assim é porque, no meu caso, assim permito. Mas alguém ousa negar que há uma violação de privacidade – e não invasão, pois é muito mais do que isso – nessa peça tão fofinha, de várias toques, com temas da Hello Kitty e da Pucca, com toques personalizados, fotos dos namorados e mensagens carinhosas guardadas à mais de dez anos atrás pois, afinal, era uma sms tão riquinha?

Queridas Divas, contactem-me. Sempre que quiserem. Sabem bem que estive, estou e estarei sempre aí. Mas deixo uma sugestão. E passo a explicar: hoje falei com uma pessoa querida que me contou que, após o jantar, senta-se no sofá com o marido e enfia o telemóvel debaixo do rabiosque dela. Não o ouve nem se tenta a ir ver quem telefonou; e não se culpabiliza de o ter desligado. De certa forma uma atitude… Como poderei dizer… Invulgar? Ora pois, mas sinto que, quando toca a meninas e meninos caprichosos – os tais Amigos Sociais - que não fazem mais nada na vida a não ser usar e abusar do telemóvel num espaço que não lhes pertence, a vontade é dizer, categoricamente:

- You´re a Pain In The Ass!

Daí concordar com a minha amiga: literalmente, ela guarda-o no sítio mais certeiro!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Há hora para Lanchar?

Certa vez disseram-me: "Não conheço ninguém que valorize tanto a Hora do Lanche como tu!". A pessoa não compreendeu a essência desta pérola do dia-a-dia que é a Hora do Lanche. Não interessa o alimento, o que interessa é que nesses poucos instantes se regam amizades, se põe em dia a conversa, provavelmente a mesma conversa de sempre, mas o que realmente importa é o estar. É graças à Hora do Lanche, que ainda se mantêm vivos os laços que muitos casamentos, empregos e filhos desfazem...e agora pergunto, para quando é o próximo lanche?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Todas diferentes, todas iguais, o mesmo sonho ;) Passam temporais, tempestades, vendavais, voa por vezes a esperança por um mundo melhor, mas logo, uma conversa, um sorriso, tudo muda...
Os anos passaram e nós também mudamos, mudamos de casa, profissão, algumas casaram, tiveram filhos, outras continuam eternamente adolescentes "séniores", mas sempre com a mesma essência, os mesmos aromas, a mesma amizade.
Uma mensagem, um telefonema, um lanche ao fim da tarde, o mesmo riso, a mesma gargalhada, o mesmo incómodo para quem passa e pensa porque se riem tanto em tempo de crise.
Já os mais sábios disseram, a crise reforça os laços e é nisso que temos de nos agarrar, porque há sempre uma voz, uma luz, um carinho!!
Para os que já partiram vai haver sempre uma lembrança, um sorriso e a esperança de nos voltarmos a encontar.
Um beijo muito especial para a nossa amiga Gisela, que nos deixou sem aviso...

sábado, 10 de janeiro de 2009

Essa Doce Melodia


Quem assobia por entre as marés sabe que é feliz. O assobio é a resposta fantasiosa que se dá à Alegria quando nos surge através de ondas e que nos faz lembrar as peças importantes do nosso Caminho: a bóia de praia que encontramos nos arrumos da casa dos pais, o bilhete do primeiro concerto dos U2, o caderno espiral do preparatório com dedicatórias de amor e outros disparates. As fotos de uma manhã no meio de uma serra, as amigas dispostas como um jogo de mesa: sem objectivos, mas com um propósito: ser alegres ao som de melodias.

Observando-as daqui, conservo na memória as diferenças de todas que ainda se mantém: as que fumam sacodem o cabelo como quem pretende expor sem dar; as de ténis nos pés têm ganchos nos cabelos. Há quem corte o cabelo só porque mulher que é mulher é camaleão e ainda quem não corte como Sansão, com força na mesma mesmo sendo careca. As que gritam de revolta, choram nos braços das desapegadas; as relaxadas sujam constantemente a camisa de seda nos almoços de amigas – cada vez mais raros, cada vez melhores.

O Agora é tão igual quando cantas a mesma música. Os trejeitos de quem canta, os passos de quem dança. De panelas e tachos na mão se faz uma banda. E uma Vida. E a luz que se lança para a memória é tão límpida como o assobio na praia, biquíni vestida, uma de topless. Contagem de tempo em que tudo se quer fazer mas nada é importante quando te deitas na toalha e filtras o sol e dizes para as tuas amigas “ E se logo fossemos aquele bar onde trabalha aquele gato da faculdade?” Há quem goste das aulas, há quem desista pelo caminho de ser feliz com o curso: apenas com as amigas.

E há quem cresça. A cantar. Sempre a cantar. Em uníssono. Saltos altos, saias curtas, amores precoces, paixões escondidas, ui!, já? Filhos no colo. Mulher que é mulher é camaleão. E mulher que é mulher tem de pôr rímel, nem que se seja para comprar um raminho de salsa. Pérolas perdidas nas fotos e nas recordações das músicas que ouvimos juntas.

A Palavra é outra amiga nossa no passeio das aventuras, primeiro idiotas, depois glamourosas. Como sempre. Como somos.

Vamos escrever um bocadinho?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Divas da natureza foi criado para partilhar experiências, colocar pensamentos, dedicar músicas, entre outras coisas. Pretende ser um espaço para o pensamento colectivo...